terça-feira, 25 de setembro de 2007

no café

O bigode e as sobrancelhas cheias por cima da xícara, levada à boca por instantes prolongados na tarde fria, tornavam o rosto do rapaz uma fonte de calor. Os pêlos inertes sobre a boca protegiam segredos íntimos; os que estavam sobre os olhos emolduravam afeto. Alheio a tanta comunicação em sua pausa para o café quente, o moço depositou a xícara de novo no pires, pagou a conta e foi-se embora. Não sem antes dizer, sorrindo, ´até mais, obrigado!´, deixando na padaria um pedaço alegre de si mesmo para as balconistas estressadas.

3 comentários:

Kátia Borges disse...

Se fosse Bandini, de Fante, estressaria as balconistas. Texto ótimo, como todos os outros. Bjs

Gustavo disse...

é disso que falo. os anônimos, a porra dos anônimos que fazem o mundo girar. são ele, não generais, governos, cantores, escritores, filósofos: são so caras simples. que empuram os fatos pra frente. a gente, como escritor, só está aqui pra enxergá-los. um cara desse vale mais que alguns boçais.

anjobaldio disse...

Com certeza, um texto sóbrio, direto, e comovente.