quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ao violonista

"Chego com as águas turvas / eu fiz tantas curvas / pra poder cantar / esse meu canto que não presta / (...) / mas isso é tudo que me resta / nessa festa" (Raul Seixas)

Das oito às dez, foi todo ouvidos. Descobriu-se, já nos primeiros vinte minutos, um anônimo em festa alheia. Ao final, com o olhar vago, de pronto celebrou a oportunidade com uma canção. A música soou como parte do ambiente ruidoso. Nada modificava com sua existência; apenas, talvez, por sofisticar o velho salão pesado com notas agudas. Mas ninguém ouviu ou cantarolou ou comentou ó que lindo e fechou os olhos, inebriado por cada trecho da Lacrimae, resultante do atrito de seus dedos com as cordas.

2 comentários:

Sócrates Santana disse...

Katherine, os membros do site www.doispontospontocom.blogspot.com
publicaram suas notas mínimas. Algumas interpretações foram feitas sobre a sua escrita e a sua proposta. Particularmente, a maneira de contornar as cenas e os fragmentos de um olhar enquadrado e subjetivo, me atraem bastante. Os desfechos muitas vezes são vazios por si, pois, escrever notas mínimas também pode significar dizer que a vida não é mínima. As notas sim, mas as vírgulas não. A vida não. Enfim. Inspirado nesta forma interessante de escrever, algo distante de "Os jornalistas" de Balzac, porém, vivo, propomos uma reflexão sobre as suas notas mínimas. Espero que goste...Até breve

joao grando disse...

Ninguém ouviu ou cantalorou?
Tu ouviste. E cantaloraste para nós.

Oi, tomei a liberdade de comentar, devo visitar-te mais vezes.