quarta-feira, 27 de agosto de 2008

congonhas

Milhares de pessoas a caminho do céu ou do inferno fazem desse aeroporto, como todos, um purgatório. Não importa para onde vão - nem de onde vem - para que se locomovem - ou por quê. Tampouco faz diferença o ritmo das passadas em direção às salas de embarque. A vida está suspensa até a próxima decolagem. Uma senhora japonesa emula a moda de uma prostituta da Bahia. Um velhinho de rayban testa a resistência de um bote em exposição e parece satisfeito. Tanto faz. Celulares conectam o purgatório a lugares melhores, simplesmente por serem outros lugares. A única negra do banheiro feminino é a funcionária de uniforme verde e sotaque nordestino. Quem nota? Tanto faz. Ela parece ser uma nativa do purgatório, ao contrário dos demais, efêmeros passageiros suspensos na direção de seus destinos, seus acasos, seus passados, seus futuros - mas só até quando uma voz anunciar, sem emoção, a chamada para o vôo.

Um comentário:

Renata Belmonte disse...

Adorei,Kath!
Beijos,
Renata