segunda-feira, 1 de setembro de 2008

um homem nervoso

Era uma vez um homem dono de um tique que dava nos nervos da gente que olhava: passar o dedão da mão sobre os dedos vizinhos, em várias e repetidas seqüências de falanges serpenteando e dissolvendo a idéia de mão. Aquilo era uma expressão de seu estado mental confuso & elétrico. Falava sozinho bem baixinho, o tempo todo; soltava frases em voz audível quando parecia ter chegado a uma conclusão importante. "Não, não, não". E, se demorasse muito para que um novo conjunto de palavras viesse à tona em voz alta, era certo, muito certo, que as mãos dissolvidas se agitariam novamente como se estivessem levando um choque. O homem então imitaria um pato: “Fuê.” Entraria em silêncio. Suposta calma desenrugaria sua testa. Mas, em menos de um minuto, tudo recomeçaria: as palavras sem sentido, os grunhidos de pato, as contorções nas extremidades dos braços. Eis um homem nervoso, para o qual emitir vibrações de paz só pode ser tarefa para um mestre.

3 comentários:

Kátia Borges disse...

Katherine, bacana rever você lá no Icba, climão bacana, pocket recital de primeira. Amei. Beijo enorme

katherine funke disse...

Valeu, Kátia...

maria guimarães sampaio disse...

bom texto!