quinta-feira, 26 de abril de 2007

na aeronave

Estamos sentados do lado de fora da aeronave, observando a lua e as estrelas, quando um objeto-vindo-do-nada (OVDN) atinge a base, descreve uma órbita redonda e cai, violentamente, aos nossos pés. O OVDN não explode, nem se mexe. Trocamos olhares para ver quem será o primeiro a identificar e classificar a espécie de OVDN. Seria um meteorito? Seria um pedaço da parte mais alta de uma cratera que se desprendeu da lua? Seria algo simbólico ou bélico lançado de outra aeronave?

Ninguém precisa tocá-lo para descobrir. O objeto está envolto em embalagem gordurosa de papel azul-pardo. Um guardanapo-de-lixa enfeita as bordas. Espiamos dentro e constatamos: é apenas um pobre acarajé rejeitado, recheado de vatapá e camarões secos. Penalizados pelo OVDN, abrimos uma cova rasa e o enterramos. Rezamos por todos os outros acarajés rejeitados da cidade-luz. E entramos novamente na aeronave para renovar as esperanças em um mundo mais ...tolerante.

2 comentários:

Carla disse...

em homenagem à descoberta de outros planetas e às plantinhas alienígenas, em homenagem a nossa fome de outras histórias e a essa barriga vazia cheia de hiatos, bom... vou pedir o meu com pimenta!

beijo garota! ;)

Wladimir Cazé disse...

curti essa aventura espacial...
abraço,