segunda-feira, 13 de agosto de 2007

o vento

Sopra o vento. Sopra forte e bagunça a estante onde estão empilhadas as certezas.

Quem está na na sombra, sente frio e se esconde em cavernas e cobertores. Assim o vento entra por um ouvido e sai pelo outro, deixando no meio da cabeça um zumbido de dúvida-do-que-não-foi e uma poeira fina de esse-aí-sou-mesmo-eu que gruda em todas as conexões neurais.

Quem decide dar um passo adiante, seguindo a direção do vento, leva um choque porque perde o conforto do escuro. Se souber esperar, sentirá o sangue a circular rápido pelas veias, o sol a esquentar a pele. E o vento se transformará em abraço de todas as células do corpo.

(Ao menos, é o que dizem os romances.)

3 comentários:

Rodrigo Lopez-Balthar disse...

lindo..."em abraço de todas as células do corpo"...agora sei de sua existência.

Renata Belmonte disse...

Já estava sentindo sua falta!
Com abraços de todas as células do corpo,
Renata

Carol Medrado disse...

Eu ia dizer o mesmo sobre o "abraço de todas as células do corpo". Temos o mesmo gosto, Rodrigo, por que será?