domingo, 28 de outubro de 2007

um minuto no bar

Como sempre, os olhos verdes de Seu Rodolfo salvam a mocinha do pesadelo. Ele não tem culpa das minhas paranóias. Percebo-o cem quilos mais leve do que meu lado esquerdo do cérebro.

- Escuta, estão soando os primeiros acordes de People are Strange, do The Doors...

(Legal é que, mesmo aos 70 anos, Seu Rodolfo costuma perguntar o nome de alguns discos e anota a resposta. Depois vem me dizer o que achou das outras músicas. Esse do Doors ele já conhecia. Que barato.)

Sirvo a cachaça bem lentamente, uma dose para ele e outra pra mim. Não brindamos nem bebemos juntos, mas há um sentimento de companheirismo entre nós. O cliente parece nervoso.

- O senhor está com algum problema?

2 comentários:

Renata Belmonte disse...

Kath, querida!
Adorei seu texto! Parabéns!
Beijos,
Renata

aeronauta disse...

Você precisa publicar logo seu livro de contos! Merecem um livro, já.